O domínio do corpo é a primeira condição para o domínio do comportamento

Psicomotricidade, o que é?

É a relação entre as partes psiquicas (processos mentais) e a motora (atividades físicas). Através da expressão corporal, brincadeira e diversas metodologias específicas, a psicomotricidade possibilita a intervenção na aprendizagem, nas competências manuais, motoras e intelectuais, na relação social (comunicação interpessoal), com o fim máximo de promover um desenvolvimento adequado e a inclusão em sociedade.

Perturbações socioemocionais e do tónus muscular

O tónus é a base neurofisiologica que prepara e guia o gesto e a ação. Exprime, também, o estado afectivo-emocional da criança e pode manifestar-se de várias formas: lentificação psicomotora, hipotonia, hipertonia, distúrbio tónico-emocional. Aqui, a psicomotricidade tem um papel essencial em casos de elevada inibição, hiperatividade, baixa auto-estima, entre outros. Por outro lado, a relação com o outro e capacidade de interagir e de expressão são competências essenciais para um desenvolvimento saudável.

Perturbações na relação com o espaço e o tempo

Os distúrbios espácio-temporais relacionam-se com a dificuldade de percepção do espaço e do tempo. A descoordenação olho-mão, a organização no espaço, a compreensão de sequências e o conhecimento de conceitos temporais são essenciais para as capacidades de memória e planificação, bem como para a aprendizagem da leitura e da escrita.

Perturbações da dominância lateral

A preferência manual, podal e ocular vão afetar as tarefas motoras. Ao longo do seu desenvolvimento, a criança explora a utilização de ambas as mãos, contudo, por volta dos 6/7 anos espera-se que exista um lado corporal preferencial para a realização motora. As dificuldades nesta dominância lateral poderão repercutir-se em dificuldades escolares específicas como a disgrafia e dificuldades de coordenação motora.

Perturbações do movimento intencional e da coordenação motora

A dispraxia, dificuldade na realização de gestos intencionais, interfere nas actividades da vida diária, na motricidade fina e nos jogos. Caracteriza-se pela existência de gestos mal calculados, pouca destreza e precisão no gesto, dificuldades nos grafismos (escrita/desenho) e no manuseamento de objetos de pequenas dimensões.

Perturbações do comportamento e Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção

A Psicomotricidade permite que a criança se desenvolva através da exploração e do movimento. Do mesmo modo, a ação ajuda à autorregulação, uma vez que são desenvolvidas capacidades de memorização, planificação, sequencialização e concentração, tão importantes a nível comportamental e no desenvolvimento da atenção. Deste modo, a criança explora, vivencia, cria e aprende a realizar movimentos controlados, com o fim último de melhorar a sua própria regulação comportamental.

Nós Acreditamos!

A brincar conseguimos intermediar as terapias, sendo o corpo o centro das preocupações, perspectivando-se as realizações motoras como suporte da relação.
Das técnicas propostas, o "brincadeira" é essencial para todas crianças, pois representa aquilo que o trabalho é para o adulto. Não é um simples lazer, mas sim uma atividade totalmente vivênciada. Não é apenas uma agitação, um desgaste motor descoordenado, mas sim uma verdadeira organização de movimentos e de sequências psicomotoras, mentais e comportamentais, que respondem a cenários complexos.
"A brincadeira", serve de desenvolvimento social, meio de expressão na relação com o outro, permite projetar no mundo exterior os conflitos internos  da criança que lhe provocam sofrimento. Brincar em terapia é esmiuçar a sua problemática, num prazer partilhado e encontrar a experiência do corpo em acção.