Lançaram-me um desafio que apelidaram de “especial”: refletir sobre o ato de cuidar no contexto da Fisiatria. Eu talvez escolhesse outro adjetivo — “complexo” ou “multifacetado” — pois cuidar, nesta área, é tudo menos simples. A Fisiatria é uma especialidade médica que vai muito além do diagnóstico do problema físico. O seu foco está em enquadrar, em cada fase do diagnóstico e do tratamento, a persptiva de função e de autonomia máxima da pessoa doente. O objetivo é que esta mantenha, em todos os momentos, o maior grau possível de independência funcional, integração social e dignidade humana. A proximidade com o utente é parte essencial do ato médico do Fisiatra. É necessário conhecer em detalhe as atividades diárias do doente, compreender as suas dificuldades e, perante a patologia de base, negociar estratégias que facilitem a sua participação social. Tendo sempre presente que há Vida para além da doença, o Fisiatra olha para as capacidades antes das limitações. É nesta visão positiva, centrada na pessoa e na sua reintegração, que o Fisiatra desenvolve a sua ação — como um dos braços fundamentais da grande equipa de Reabilitação que acompanha e apoia quem vive com (in) capacidades
Dra. Mafalda Pires